Corpo do cantor Belchior será sepultado em Fortaleza, diz família

Velório ocorre em Sobral, cidade natal do cantor, e na capital cearense.

Belchior cantou seus sucessos no ‘Programa do Jô’ em 2013 (Foto: TV Globo)
O corpo do cantor e compositor cearense Belchior será sepultado nesta segunda-feira (1º), no Cemitério Parque da Paz, em Fortaleza. De acordo com Sílvia Belchior Fernandes, sobrinha do compositor, a previsão é de que chegue à capital cearense por volta das 5h da manhã desta segunda. Do aeroporto Pinto Martins, o corpo segue para a cidade natal do artista, Sobral, zona Norte do Ceará, onde será velado por cerca de duas horas, no Teatro São João.

No fim da manhã de segunda-feira, o corpo segue para Fortaleza onde ocorre um velório no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na Praia de Iracema e, em seguida, será enterrado no cemitério Parque da Paz, onde foram sepultados os pais do cantor. Segundo a sobrinha, a maior parte da família de Belchior está em Fortaleza, por isso, a decisão de enterrá-lo na capital.

O cantor e compositor cearense Belchior, de 70 anos, morreu na madrugada deste domingo (30) em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. Nascido em 26 de outubro de 1946, Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes foi um dos ícones mais enigmáticos da música popular no Brasil, com quase 40 anos de carreira.

A polícia acredita que Belchior tenha tido uma morte natural. “Em princípio, morte natural, porque não havia sinais de violência, nada indicou qualquer outra coisa. Segundo a esposa, Edna, ele não usava medicação, não apresentava problemas de saúde. Eles disseram que sequer tinham remédios em casa”, afirmou a delegada Raquel Schneider, da Polícia Civil de Santa Cruz do Sul.

À TV Globo, Angela Margareth, ex-mulher do músico, disse que a causa da morte foi um infarto. Segundo a delegada, o corpo foi levado para o exame de necropsia no Instituto Médico Legal de Cachoeira do Sul, cidade distante cerca de 100 quilômetros de Santa Cruz do Sul, pelo qual poderá ser determinada a ‘causa mortis’ de Belchior.

De acordo com amigos, o artista vivia há quatro anos no município localizado na região do Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Há um ano e meio ele morava na casa onde morreu, com a atual mulher Edna Prometheu. A residência foi cedida a ele por um amigo.

O cantor e compositor teve o primeiro sucesso nos anos 70 ao lado do também cearense Raimendo Fagner, com a faixa “Mucuripe”. Com o disco “Alucinação” (1976), lançou clássicos como as faixas “Apenas um rapaz latino-americano”, “Velha roupa colorida” e “Como nossos pais”, essa última se tornou conhecida na voz da cantora Elis Regina.

Trajetória

Na infância no Ceará, Belchior estudou piano e música coral e trabalhou no rádio em sua cidade natal. Seu pai tocava flauta e saxofone e sua mãe cantava em coro de igreja. Mudou-se em 1962 para Fortaleza, onde estudou Filosofia e Humanidades. Também chegou a estudar Medicina, mas abandonou o curso em 1971 para se dedicar à música.

Começou apresentando-se em festivais pelo Nordeste. Fez parte do chamado Pessoal do Ceará, que inclui artistas como Fagner, Ednardo, Rodger Rogério, Téti e Cirino. Em 1971, quando se mudou para o Rio de Janeiro, venceu o IV Festival Universitário da MPB, com a canção ‘Na Hora do Almoço’, cantada por Jorge Melo e Jorge Teles, com a qual estreou como cantor em disco, um compacto da etiqueta Copacabana.

Em 1972, a cantora Elis Regina gravou sua música “Mucuripe”, composta com Raimundo Fagner. Depois do sucesso de “Mucuripe”, mudou-se para São Paulo, onde compôs trilhas sonoras para filmes e passou a fazer shows maiores e aparições em programas de televisão.

Em 1974, lançou seu primeiro disco, “A palo seco”, cuja música título se tornou sucesso nacional e ganhou versões ao longo da história, como a de Oswaldo Montenegro e da banda Los Hermanos.

Outros artistas também regravaram sucessos de Belchior, entre eles Roberto Carlos (“Mucuripe”), Erasmo Carlos (“Paralelas”), Engenheiros do Hawaii (“Alucinação”), Wanderléa (“Paralelas”) e Jair Rodrigues (“Galos, noites e quintais”). Elis Regina foi uma de suas maiores intérpretes: além de “Como nossos pais”, gravou “Mucuripe”, “Apenas um rapaz latino-americano” e “Velha roupa colorida”.

Em 1982, o cantor lançou “Paraíso”, que tem participações dos àquela época ainda jovens artistas Guilherme Arantes, Ednardo Nunes, Jorge Mautner e Arnaldo Antunes. Fundou sua própria gravadora e produtora, a Paraíso Discos, em 1983. Ao longo da carreira, Belchior teve mais de 20 discos lançados.

Também gravou composições outros artistas, como “Romaria”, de Renato Teixeira. No disco “Vício elegante”, de 1996, canta apenas músicas de colegas, entre elas “Almanaque”, de Chico Buarque, “Esquadros”, de Adriana Calcanhoto, e “O nome da cidade”, de Caetano Veloso.

Discografia

  • 1971 – Na Hora do Almoço (Copacabana – Compacto)
  • 1973 – Sorry, Baby (Copacabana – Compacto)
  • 1974 – Mote e Glosa (Continental – LP/K7)
  • 1976 – Alucinação (Polygram – LP/CD/K7)
  • 1977 – Coração Selvagem (Warner – LP/CD/K7)
  • 1978 – Todos os Sentidos (Warner – LP/CD/K7)
  • 1978 – Pop Brasil (Warner Music / WEA)
  • 1979 – Era uma Vez um Homem e Seu Tempo (Warner – LP/CD/K7)
  • 1980 – Objeto Direto (Warner – LP)
  • 1982 – Paraíso (Warner – LP)
  • 1984 – Cenas do Próximo Capítulo (Paraíso/Odeon – LP)
  • 1986 – Um Show: 10 Anos de Sucesso (Continental – LP)
  • 1987 – Melodrama (Polygram – LP/K7)
  • 1988 – Elogio da Loucura (Polygram – LP/K7)
  • 1990 – Projeto Fanzine (Polygram – LP/K7)
  • 1991 – Divina Comédia Humana (MoviePlay – CD)
  • 1991 – Acústico (Arlequim Discos – CD)
  • 1993 – Baihuno (MoviePlay – CD)
  • 1995 – Um Concerto Bárbaro: Acústico ao Vivo (Universal Music – CD)
  • 1996 – Vício Elegante (Paraíso/GPA/Velas – CD)
  • 1999 – Autorretrato (BMG – CD)
  • 2002 – Pessoal do Ceará (Continental / Warner – CD)
  • 2008 – Sempre (Som Livre – CD)

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Fonte: G1

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