A melhor linguiça do mundo é feita em São Paulo

Ambiente do Gijo Linguiças

Demorei demais e seu Gijo não me esperou. Ele nem sabia que eu estava escrevendo. Quase não conversei com ele nas minhas visitas à loja na Vila Mariana, na zona sul paulistana. Já sabia tudo o que precisava: que ali se produziam as melhores linguiças do mundo. “Produzo”, ele me corrigiria.

Seu Gijo nem me contou nenhum caso, não cantou uma ária de ópera, andava meio jururu nas vezes que fui lá. Sentado, estava sorridente e mandou o vozeirão: “Pode comprar, é esta mesmo”, percebendo a minha hesitação diante da variedade. Mas não se animou a bater papo e eu não insisti. Afinal, ele estava lá desde 1949 e tinha direito a encarnar o personagem quando quisesse.

A variedade para escolha é mesmo grande. Algumas linguiças precisam de explicação, pois são criações dele (uma dezena só de calabresas). Recomendou a romana, um quilo. Era muito, calculo que para umas dez pessoas, e somos dois. Pois comprei e não sobrou um pedaço. Há coisas que te incomodam, parecem chamar da geladeira ou do fogão. Já estava deitado e sentia o cheiro na memória. “Só mais um pedacinho”, eu me prometia. E fui devorando noite adentro. Aquele sussuro da gula.

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